Amar é partir.
Partir de si ao encontro do outro,
que desejamos conhecer e servir,
por si mesmo, por aquilo que ele é,
independentemente do significado
que ele tem para nós.
Amar é sair de si,
largar as amarras do eu
com as suas exigências, condições, apetites,
instintos, teimosias, fixações, avarezas
e abrir-se ao outro na sua novidade absoluta,
na sua singularidade irredutível,
no desafio que ele faz à minha conversão.
Raramente amamos deste modo,
porque raramente partimos,
preferimos abrigar no porto do nosso coração
os afectos que conquistamos,
os amantes que seduzimos, os admiradores que dominamos,
os outros que possuimos...
Nada disso é amor,
porque continuamos dependentes do nosso ego,
que só reage quando se sente reconhecido, satisfeito, gratificado.
Amar é correr o risco de perder a sua vida
nas muitas conversões que o amor vai exigir,
no serviço e na doação que ele supõe,
na partilha de intimidade que dele resulta.
Mas quem perde a sua vida deste modo,
ganha-a de uma forma eterna,
porque ressuscita, plena e feliz!